Da tragédia à festa... (Purim)
Refere o Livro de Ester que, na primeira metade do século V a. C., ao tempo do rei persa Assuero1, o judeu Mardoqueu se recusou a dobrar o joelho e a prostrar-se diante de Haman, a quem o rei tinha dado “um lugar superior ao de todos os príncipes que o rodeavam” (cfr. Est 3, 1-2). Haman decidiu vingar-se não apenas de Mardoqueu, mas de todo o seu povo (cfr. 3, 3-6), e lançou o “pur”2. O rei Assuero publicou um édito contra os judeus (cfr. 3, 12-13) que, entre estes, causou enorme consternação (cfr. 3, 14-15). Anunciava-se uma enorme tragédia.
A intervenção da rainha Ester fez com que Assuero mudasse de planos e a maldição voltou-se contra Haman, que foi condenado à morte (cfr. Est 7). Mardoqueu ordenou que, a partir daí, se celebrasse a festa de Purim: “Enviou cartas a todos os judeus das províncias do rei Assuero, próximas ou longínquas, para lhes ordenar que celebrassem, cada ano, o dia catorze e o dia quinze do mês de Adar3, como dias em que foram postos a salvo dos ataques dos seus inimigos, e celebrar o mês em que a sua tristeza se transformou em alegria e o luto em festa. Deveriam, pois, nesses dias, fazer alegres banquetes, enviar ofertas uns aos outros e distribuir donativos aos pobres” (Est 9, 20-22).
Foi assim que “os judeus instituíram e estabeleceram para eles, para os seus descendentes e para todos os que a eles se unissem, o costume irrevogável de celebrar anualmente esses dois dias na forma prescrita e no tempo marcado. Esses dias eram recordados e celebrados de geração em geração, em cada família, em cada província e em........
