Continuidade dos recomeços
O final das coisas tem sempre algo de liminar, como se atravessássemos uma linha invisível entre o que fomos e o que ainda não descobrimos ser. Há por isso, às vezes, um sentimento impreciso de travessia que, em simultâneo convida a uma pausa. Quando um ano está a acabar, muitos se lembram das metas, dos planos e das promessas para o ainda próximo ano; embora a experiência já nos tenha demonstrado que, para março, já tudo se dissolveu no esquecimento.
Há uma diferença considerável entre a pretensão de controlo do tempo e a aprendizagem que implica escutá-lo. O inventário do tempo que fica para trás é, nesse sentido, uma escuta. Não se trata de contabilizar nada, nem sucessos e nem fracassos, mas de recolher os sinais e significados do que se viveu. Pequenos gestos que passaram despercebidos, revistos, brilham com delicada importância. Este gesto de........
