menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma surpresa (Seguro) ou incoerência surpreendente?!

12 0
16.02.2026

Quem diria? É verdade! Quem diria que António José Seguro seria eleito o 6.º Presidente da República de Portugal? 

1 - Ninguém vaticinaria tal coisa. Um político, que se auto-exilou, durante 12 anos, no recôndito concelho raiano de Penamacor para curar as feridas provocadas pelos seus “compagnons de route”, sediados no departamento esquerdista do Rato, anunciou, assustado e um pouco descontextualizado da realpolitik, a sua disponibilidade e pretensão de se candidatar ao cargo máximo da nação. Ninguém acreditaria que tal acontecesse. Mas, Seguro avançou. Tímido e receoso pelo ambiente agreste que poderia encontrar, é verdade, mas avançou. Demonstrou, com a atitude de se expor no mercado eleitoral, coragem e convicção da sua valia como um velho político do tempo do seu mentor Guterres. 

Indo às memórias, os barões geringoncistas rejeitaram-no como secretário-geral em 2014, levando-o para o desterro do azeite e do vinho. O mesmo grupo, logo que Seguro se apresentou no palco presidencial, o mimoseou, de imediato, com pronunciamentos azedos e discordantes pela sua ousadia de avançar sem a permissão do intragável baronato.

2 - Os mimos, impropérios de quilate elevado, vindos da elite neo-socialista ressabiada, tentaram desmobilizá-lo da corrida a Belém. Seguro não se incomodou e desvalorizou os autores e os ditos. Ao não desistir da sua pretensão, desafiou, de caras, a velha nomenclatura instalada no Rato dos tempos socráticos. O apoio desses tardou. No final, lá pensaram que Seguro representava a única e última hipótese de ver um ex-socialista na cadeira do poder, quebrando a hegemonia do PSD em Belém. 

3 - Um dos notáveis do Rato, o seu porta-voz, o fogoso “democrata” Santos Silva, não se conteve em afirmar categoricamente que Seguro “não tinha os requisitos mínimos para ser Presidente”. Tempos depois, foi baixando a bola e deu o dito por não dito ao reconhecer que votara com “convicção” em Seguro para ser Presidente logo na primeira volta. Esta subtil “coerência”, reforçada com afirmações descabidas e raivosas, não invalida o desprezo que Seguro deve sentir por esses “democratas” de grande cortesia.

Todos sabemos que na política o ter “lata” e o engolir “sapos” são coisas banais e de importância nula. O baronato foi-se rendendo aos poucos ao “realismo da política” e presta hoje vassalagem ao vencedor, tendo no horizonte hipotéticos dividendos eleitorais.

4 - E agora como será? Como se comportará Seguro no palácio de Belém? Será uma mera figura decorativa? Será colaborante com o governo de Luís Montenegro? Usará com parcimónia a magistratura de influência? Ou será um foco desestabilizador e complicativo? A verdade é que o país, neste momento de grande aflição e de recuperação dos danos provocados pelas sucessivas tempestades, precisa de calma, de discernimento e de reunir forças para enfrentar os problemas que já existiam e que se agudizaram agora com os temporais. Mas, é preciso, fundamentalmente, ter Sentido de Estado. Conflitos institucionais não interessam a ninguém. 

Tricas para abrir as portas do poder aos neo-socialistas - (não acredito) - isso nem pensar, porque as três experiências governativas (Guterres, Sócrates, Costa) deram péssimos resultados para o desenvolvimento e boa imagem do país e para a vida normalizada das pessoas. Basta pensar um pouco no estado da Saúde, da Educação, da Imigração, da Habitação entre outros, problemas sérios que o país se debate com profundas dificuldades (legado costista).

Socialismo na governação não interessa absolutamente a ninguém. Na oposição, sim, fica bem. 


© Diário do Minho