O Homem com o Pirulau Emplumado
O Homem com o Pirulau Emplumado
Era uma vez um homem que tinha, em casa, um espelho que o enganava. Como na história infantil que nos contaram, todos os dias, mais do que uma vez, colocava-se diante dele e perguntava-lhe se existia alguém no mundo mais poderoso e mais belo do que ele.
Trapaceiro, o espelho garantia-lhe que não. Aliás, reforçava, dizendo que nunca tinha existido, nem jamais existiria. O homem fora feito num molde único, quer no que respeitava ao aspeto físico — um verdadeiro Adónis —, quer no que dizia respeito às capacidades da mente, que o tornavam mais astuto do que a mais ladina das raposas. Era um espanto. Pelo menos, era isso que o espelho lhe dizia.
Filho de um pai muito rico, embora pouco recomendável, foi singrando na vida entre negócios e o papel de bobo da corte perante largas audiências que dele se deleitavam. Naturalmente, eram também plateias de compreensão lenta e de estupidez galopante.
Como não podia deixar de ser, o ego insuflou-se ao ponto de mais parecer um balão. Instalado dentro dele, foi crescendo, crescendo, até ocupar todo o espaço, toldando-lhe a já curta........
