O tempo dos verões
Pela mão de uma querida amiga, mergulho na leitura de O Livro do Verão, de Tove Jansson. E, de repente, a cumplicidade daquela história entre avó e neta transporta-me para os meus verões em Silgueiros.
O verão devolve-nos memória pelo sabores e aromas. Pela longa viagem, cheia de curvas e enjoos, que vencíamos porque, no fim, nos esperavam, dois meses de uma outra vida.
É o sabor da amora que me devolve os passeios com a avó, as silvas que nos picavam as pernas. São as tardes nas lagoas de água gelada, o cheiro da terra molhada, o milho roubado para assar, a broa de milho branco e as uvas. Correr até à eira, depenicar os cachos, sentir o cheiro da fermentação, ficar com os pés tingidos de roxo.
E os olhos do meu primo… ternos e irrequietos, procuravam talvez uma vida melhor. Foi naquelas eiras que percebi que nem........
