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Uma coruja em Frankfurt

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30.10.2026

Quando Christine Lagarde assumiu a presidência do Banco Central Europeu, em novembro de 2019, herdou uma instituição marcada pela sombra de Mario Draghi. O italiano deixara o cargo com o estatuto de salvador do euro, graças ao famoso “whatever it takes” (faremos tudo o que for preciso) e o subsequente “combate” com os membros do seu conselho executivo que queriam menos apoios aos países do sul da Europa.

A francesa chegava de Washington, depois de anos à frente do Fundo Monetário Internacional, sem o perfil clássico de banqueira central e sem o mesmo capital simbólico junto dos mercados.

Poucos meses depois, o mundo parou.

A presidência de Lagarde acabou por coincidir com uma sucessão de choques que nenhum dos seus antecessores enfrentou em tão curto espaço de tempo: pandemia, crise energética, guerra na Ucrânia e o regresso da inflação a níveis que a Europa não via há décadas.

Nada disso se adivinhava ainda no momento em que tomou posse. Na primeiríssima conferência de imprensa oficial como presidente do BCE, o grande tema – e a dúvida dos jornalistas e analistas – era se seria uma continuação de Draghi ou se........

© Diário de Notícias