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Diplomacia multivetorial fórmula de sucesso cazaque há 35 anos

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29.01.2026

No final de 2026, passarão 35 anos sobre o fim da União Soviética, um dos eventos geopolíticos mais significativos da segunda metade do século XX. Em vez de um país, são agora 15, com a vasta e populosa Rússia a assumir-se, sem surpresa, como a herdeira do principal símbolo de estatuto da extinta superpotência comunista, o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Surpreendente, sim, e a merecer ser analisado, tem sido o percurso daquela que era a segunda maior república soviética em área: o Cazaquistão, hesitante no processo que levou à desagregação do gigante euroasiático, mas que assim que declarou a independência, definiu uma ambição: a construção de um Estado cazaque forte, capaz de assegurar a soberania sobre a extensa estepe, um território que é o nono maior do mundo. A mudança da capital de Almaty para a mais central Astana foi uma das importantes decisões nesse sentido.

Nursultan Nazarbayev, que transitou do anterior regime, teve um papel decisivo como primeiro presidente durante quase três décadas, gerindo equilíbrios com vizinhos poderosos como a Rússia e a China, ao mesmo tempo que consolidava a nação cazaque. Ao seu sucessor desde 2019, o diplomata Kassim Jomart-Tokayev, cabe agora a missão de garantir o sucesso do Cazaquistão como potência média, capaz de usar a sua geografia (e riquezas) no coração da Ásia Central como vantagem para desenvolver o país e, em simultâneo, reforçar a rede de parcerias pelo mundo fora que lhe traz a sua diplomacia multivetorial.

Se os vizinhos Rússia (pela História e pela minoria eslava que vive no Cazaquistão) e China (sobretudo pelas oportunidades de cooperação económica) são incontornáveis, quem governa em Astana........

© Diário de Notícias