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A perigosa descoordenação no combate à droga

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13.10.2026

Tradicionalmente, quem está fora do sistema, acredita que no país há coordenação no combate ao tráfico de droga. É apenas uma questão de fé, como aliás muitas outras crenças no anquilosado modelo policial português.

A crise nacional que se vive em torno do fenómeno das lanchas rápidas, da pressão no mar e nos nossos portos, nas 'mulas' que diariamente tentam entrar nos nossos aeroportos, da droga expedida por via postal e do aumento do consumo de droga que ameaça um retrocesso à década de 80 e 90, veio mostrar o que a PSP já alertava há 15 anos nas discussões com os seus pares em sede de UCIC, Unidade de Coordenação de Investigação Criminal. O cenário estava a mudar e os esforços fragmentados das polícias mostravam já muito stress para lidar com a evolução do tráfico.

Apesar de Portugal ter passado ao lado das grandes rotas internacionais de tráfico até ao presente milénio, a realidade atual, caótica e assustadora, mostra a falência de um sistema que foi desenhado assente numa realidade com fronteiras, sem redes de comunicação sofisticadas, sem redes de autoestrada modernas, sem aviões privados que enxameiam o nosso espaço aéreo diariamente, sem meios tecnológicos (por vezes mais avançados que os das polícias), com uma cooperação policial internacional frágil e, não esquecer, num tempo em que o consumo de droga era bem mais censurável socialmente. Infelizmente, o último inquérito nacional ao consumo de substâncias psicoativas já é de 2022 e o último relatório do ICAD nesta matéria é de 2024, não nos sendo possível ter uma imagem real da situação atual ao nível do consumo.

Um cenário completamente diferente emergiu e a luta contra os poderosos cartéis marroquinos, espanhóis, sul americanos e balcânicos dificilmente terá sucesso apreendendo lanchas, submersíveis, detendo pobres 'mulas' que recebem uns parcos milhares de euros para trazer cocaína para a Europa, ou indo a águas internacionais intercetar navios que nem sequer se dirigem para Portugal. As grandes apreensões de cocaína, fruto de intelligence internacional, não deveriam ser usadas para mascarar um problema sério que ameaça começar a corroer alguns estratos da economia e do próprio Estado.

Concretizando, a dita coordenação entre polícias, que parece convencer alguns, faz-se com a comunicação à PJ de todos os casos conhecidos e investigados pelas restantes polícias. Literalmente, tudo entra nas bases de dados da PJ. No início de uma investigação, os OPC têm de pedir, note-se,........

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