Verdadeiras reformas enfrentam sempre obstáculos
O Governo decidiu avançar com uma reforma do Estado que, apesar de anunciada com a serenidade de um gesto técnico, carrega dentro de si a densidade de décadas de adiamentos, hesitações e compromissos mal resolvidos. A intenção de reduzir o número de pareceres obrigatórios nos licenciamentos, permitindo que empresas e investidores deixem de percorrer um labirinto administrativo, que parece ter sido construído para testar a paciência de quem ainda acredita no potencial económico do país, é um passo que merece ser reconhecido. Não apenas porque responde a um problema antigo, mas porque assume que a simplificação deve anteceder a digitalização, evitando a ilusão confortável de que basta informatizar processos para que estes se tornem melhores. A ideia de arrumar a casa antes de a modernizar é sensata e revela uma compreensão rara do que significa reformar o Estado.
Mas a ambição, por si só, não chega. As reformas estruturais exigem tempo,........
