Luís Neves e as percepções
A notícia de que o diretor da Polícia Judiciária foi a escolha do primeiro-ministro para a pasta deixada vaga pela desistência de Maria Lúcia Amaral deixou quase toda a gente (excepto quem estivesse dentro do segredo, e mesmo assim) de cara à banda — e com bons e variados motivos.
Desde logo porque se trata de alguém que se notabilizou por, em janeiro de 2025, afrontar, na conferência dos 160 anos do DN, o discurso das “percepções” que Luís Montenegro, a partir do outono de 2024 e a reboque do Chega, cultivou em relação à criminalidade e insegurança, por um lado, e à associação da imigração com ambas, por outro.
Recorde-se que, no final de novembro de 2024, o primeiro-ministro fez uma declaração ao país para, precisamente, ladeado das ministras da Justiça e da Administração Interna (então Margarida Blasco) e dos chefes das polícias (incluindo Luís Neves), falar de um “sentimento de insegurança” e da necessidade de não se “dormir à sombra da bananeira” da ideia de que Portugal é um país muito seguro. Duas semanas depois, a 19 de dezembro, ocorreria a famosa e mui mediatizada operação da PSP na zona do Martim Moniz, em Lisboa, na qual, sob o mote “Portugal sempre seguro”, polícias de shotgun e capacete, em aparato de zona de guerra, encostaram à parede, na rua do Benformoso, dezenas de imigrantes para serem revistados e identificados.
Esta atuação da PSP, que um ano depois viria a ser censurada pela Provedoria de Justiça — por curioso acaso quando a ex-Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, ocupava já a pasta das polícias — como desproporcional, infundamentada e........
