E se a Justiça fosse feita por máquinas?
A Justiça vive de uma promessa simples e exigente: tratar cada pessoa como um fim e cada conflito como um caso humano, singular, com consequências na vida real. A pergunta “e se a Justiça fosse feita por máquinas?” não é, por isso, um exercício de ficção científica. É um teste ao nosso humanismo e à forma como interpretamos hodiernamente o brocado constitucionalmente consagrado “direito de acesso à Justiça”: até onde pode ir a automação sem trair as garantias fundamentais que legitimam o poder de julgar?
Comecemos pelo que seduziria os políticos e os jornalistas que nunca entraram numa sala de audiência. Máquinas não se cansam, não faltam, não adiam por acumulação de serviço, não têm agenda, não se intimidam (nem pela comunicação social). Podem pesquisar milhões de decisões, uniformizar critérios, reduzir assimetrias territoriais, cortar tempos mortos. Num sistema em que a morosidade é apontada pela horda ignorante como a grande falha, a promessa tecnológica aparece como uma forma de apressar a........
