“Deus voltou à rádio”
“Regresso de peito aberto, no duplo sentido que a afirmação ganha desde que, há algum tempo, me rasgaram o tórax, para melindrosa afinação da máquina lírica. Entretanto, não dei conta de que tenha voado para longe o pássaro azul que tantas vezes se escapou do peito de Bukowski. Entro na casa e sento-me para, desse modo, caminhar sem fim. Sou um septuagenário quase de partida e acabo de regressar a casa.” Fernando Alves Andava há dois anos com um nó contorcido na garganta sempre que ligava a rádio. Sem chama, sem voz, nem nervo. Tudo era uma pradaria em nevoeiro. Muitos embarcaram para a rádio pública, hoje uma referência em superlativo. Até ele foi. O maior. Aquele que rasga a infância até ao banco de jardim e que ousou pensar sentar-se por tempo indeterminado. Foram largos dias de luz apagada. O microfone começou a envelhecer. Os diálogos, a socalcos, venciam a resistência. Ouvir a TSF era um drama. Não só pelos que partiram como os outros que tiveram de zarpar sem querer. Faltava a voz. A sonoridade sem zumbido. O torpor engolido pelo espanto. No segundo dia deste mês voltei a........
