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“A ascensão dos extremismos de...”

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friday

As democracias europeias passaram décadas a ensinar ao mundo as virtudes do voto, mas manifestam hoje uma estranha relutância em aceitar os resultados quando o eleitor contraria o guião estabelecido. Se o veredicto das urnas incomoda, há sempre um diagnóstico imediato: populismo, desinformação, manipulação ou simples ignorância. Quase nunca se ousa colocar a questão mais espinhosa, quando grande parte do problema reside naqueles que foram relegados para o silêncio e deixaram de ser ouvidos. Espelhos de Incerteza, perante uma Europa dividida e um modelo autoritário russo reforçado e legitimado de forma irregular. A Alemanha representa, atualmente, um desses espelhos implacáveis. De um lado, assiste-se ao crescimento da AfD (Alternativa para a Alemanha), alimentada pelo profundo descontentamento social, pelo ceticismo perante as políticas migratórias e pela perceção de que o Estado perdeu a capacidade de responder a problemas do quotidiano. Do outro, o Die Linke recupera terreno junto dos jovens e dos meios urbanos, corporizando a revolta contra a austeridade e contra um aparelho político fechado e distante. Na Saxónia-Anhalt, a AfD alcançou uns expressivos 43,8% dos votos regionais, enquanto em estados do Nordeste, como Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, capitalizou crises socioeconómicas. Em simétrica oposição, centros urbanos viram a extrema-esquerda somar vitórias impulsionadas pelo voto jovem. No centro, o terreno encolhe e a política radicaliza-se. Nascida em 2013 como plataforma eurocética, a AfD........

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