menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

“Abril, um livro-flor”

26 0
16.04.2026

Abril chega sempre com uma luz diferente. Há qualquer coisa no ar. Talvez a promessa, talvez a memória que nos faz abrandar o passo e olhar com mais atenção para o que floresce, dentro e fora de nós. Não por acaso, é também em abril que celebramos o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor (dia 23), como se o calendário soubesse que ler é, afinal, uma forma de abraçar a primavera. Mas abril, entre nós, é mais do que estação: é história viva. É o mês em que a liberdade ganhou um corpo e pensamento coletivos nas ruas, em 25 de Abril de 1974, abrindo portas que durante demasiado tempo estiveram fechadas. Ler, escrever, pensar e publicar são gestos que hoje nos parecem naturais, mas são também frutos dessa conquista. Cada livro que abrimos traz consigo, ainda que em silêncio, a marca dessa liberdade. Antes disso, houve silêncio imposto. Houve palavras riscadas, ideias travadas, livros feridos pelo “lápis azul” da censura, que decidia o que podia ou não podia chegar às mãos dos leitores. E, ainda assim, houve quem lesse. Houve leitores resistentes, silenciosos e persistentes. Gente que passava livros de mão em mão, que lia às escondidas, que descobria entrelinhas onde a censura não chegava. Esses leitores foram, também eles, jardineiros invisíveis. Cuidaram das ideias quando eram frágeis,........

© Correio do Minho