Doutrina Monroe ainda vive: o Corolário Trump
RICARDO LEÃES, professor de relações internacionais, pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul
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As cenas da operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, na madrugada do dia 2 para 3 de janeiro, são impactantes: bombardeios seletivos e o sequestro de Nicolás Maduro — agora ex-presidente do país — e de sua esposa, Cilia Flores. Mais do que uma ação com o objetivo de apropriar-se dos recursos petrolíferos venezuelanos, a iniciativa revela algo maior: o retorno declarado da Doutrina Monroe na América Latina.
A Doutrina Monroe é um conjunto de princípios estabelecidos em 1823 por James Monroe, então presidente dos Estados Unidos. À época, os países latino-americanos lutavam por sua independência, mas enfrentavam a resistência dos europeus, que buscavam retomar a colonização da região. Diante disso, Monroe bradou "Américas para os americanos", rejeitando o retorno do colonialismo europeu e defendendo a independência das novas repúblicas.
Com o passar do tempo, entretanto, os ditames da Doutrina Monroe ficaram claros: em vez de configurar um fundamento de respeito à soberania e à liberdade das nações latino-americanas, tratava-se de uma estratégia de dominação estadunidense sobre o subcontinente. "Americanos", para James Monroe, eram os nascidos nos Estados Unidos — e não todos os habitantes das Américas.
A partir da virada do século 19 para o século 20, a Doutrina........
