O que a modernização chinesa ensina ao Sul Global
Durante muito tempo, a modernização foi apresentada como uma estrada cujo rumo já havia sido traçado pelos países ocidentais. Parecia que os que vinham depois só precisavam aprender suas instituições, políticas e modos de vida para repetir um processo semelhante de desenvolvimento. Nessa narrativa, modernizar-se não significava apenas industrializar, urbanizar e avançar tecnologicamente; muitas vezes, também era visto como sinônimo de ocidentalização institucional.
Mas décadas de experiências de desenvolvimento no Sul Global mostram que a realidade é bem mais complexa. Muitos países adotaram, seguindo recomendações ocidentais, políticas de abertura de mercado, privatização e reforma institucional, sem conseguir, com isso, construir uma estrutura produtiva sólida nem superar a pobreza, o endividamento e a desigualdade social. Em alguns casos, a economia cresceu sem que a vida das famílias melhorasse no mesmo ritmo; em outros, países ricos em energia e minérios continuaram dependentes da exportação de matérias-primas e, por isso, vulneráveis às oscilações dos preços internacionais.
Na América Latina, essa experiência é particularmente familiar. A América Latina e o Caribe estiveram entre as primeiras regiões em desenvolvimento a buscar seus próprios caminhos de modernização. Também produziram ideias importantes, como o estruturalismo e a teoria da dependência, e acumularam ampla experiência em reformas. Ainda assim, a repetição dos ciclos econômicos, a lenta transformação produtiva, a elevada desigualdade e a falta de continuidade das políticas públicas continuam limitando o desenvolvimento de muitos países. A lição é clara: a busca da modernização precisa partir da história, da estrutura social e das condições concretas de cada nação.
A importância mundial da modernização chinesa começa justamente aí: sua experiência mostra, na prática, que modernizar-se não é o mesmo que se ocidentalizar e que não existe uma fórmula universal capaz de servir a todos os países.
O desenvolvimento da China não resultou de uma rejeição às experiências externas. Desde o início da reforma e abertura, o país atraiu capitais, tecnologias e métodos de gestão, participou da divisão internacional do trabalho e aprendeu com os processos de industrialização e........
