Por que não haverá paz duradoura no Irã?
O conflito em torno do Irã não é sobre centrífugas ou mísseis. Trata-se da disputa pelo desenho da ordem eurasiática e pelo comando dos corredores que sustentam o maior mercado do planeta. Entre a integração continental promovida pelas Rotas da Seda e a reorganização estratégica dos fluxos sob eixo israelense, define-se a arquitetura do poder no século XXI.
Não haverá paz duradoura no Irã porque o conflito que o envolve não é, em sua essência, nuclear nem ideológico. O programa atômico funciona como superfície visível de uma disputa mais profunda. O núcleo real é geoeconômico e diz respeito ao controle dos fluxos que estruturam a Eurásia, hoje o principal eixo de circulação de energia, mercadorias e conectividade do planeta. No século XXI, poder não se mede apenas por território ou capacidade militar, mas pela capacidade de organizar corredores estratégicos e influenciar gargalos logísticos. O Irã ocupa posição decisiva nessa arquitetura. Sua estabilização plena não significaria apenas redução de tensões regionais, mas a consolidação de um elo central na integração continental asiática. É por isso que qualquer promessa de pacificação precisa ser analisada com rigor estrutural. O problema não é a existência de centrífugas, mas a possibilidade de reorganização dos fluxos globais.
A disputa que envolve o........
