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O plano por trás da crise da OTAN

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09.04.2026

A crise da OTAN não começou com dinheiro, nem com divergências pontuais entre aliados. Ela começa quando a principal aliança militar do mundo deixa de funcionar como um pacto automático e passa a ser tratada como instrumento de pressão, negociação e controle. O que está em curso não é apenas um conflito político. É uma mudança estrutural na forma como o poder militar, a tecnologia e as alianças estão sendo reorganizados no século XXI.

Quando a aliança falha: o episódio que expôs a ruptura

A crise atual da OTAN não nasceu de um desacordo abstrato, nem de uma divergência diplomática qualquer. Ela ganhou forma quando Donald Trump exigiu apoio europeu mais direto à escalada contra o Irã, não recebeu o que esperava e reagiu publicamente, acusando a aliança de não estar presente quando os Estados Unidos precisaram. Não foi um ataque de ocasião. Ali apareceu uma mudança de fundo: para Trump, a OTAN deixa de ser uma aliança entre interesses convergentes e passa a ser cobrada como extensão imediata da vontade estratégica de Washington.

A ruptura está aí. Durante décadas, a OTAN funcionou como uma engrenagem de coordenação entre potências ocidentais, com assimetrias evidentes, mas também com ritos, mediações e algum grau de previsibilidade. O que o episódio recente expôs foi o desgaste dessa lógica. A divergência deixou de ser tratada como parte normal de uma aliança multilateral e passou a ser lida como falha de lealdade.

Os números já não sustentam a explicação superficial. Nos últimos dois anos, Europa e Canadá ampliaram seus gastos militares de forma expressiva, com alta de cerca de 20% em 2025, além de assumirem a meta de elevar os investimentos em defesa e segurança a 5% do PIB até 2035. O argumento de subfinanciamento continua útil como discurso, mas já não explica sozinho o tamanho da crise.

O problema real está em outro lugar.

A recusa europeia em acompanhar integralmente a escalada contra o Irã mostrou que, apesar da pressão de Washington, ainda existem cálculos estratégicos próprios no interior da aliança. Para governos diretamente expostos às consequências econômicas, energéticas e militares de um alargamento do conflito, o custo de seguir os Estados Unidos sem mediação era alto demais.

A reação americana foi reveladora. Em vez de administrar a divergência, Trump colocou em dúvida a utilidade da própria aliança. Ao fazer isso, deixou claro um novo critério: o valor da OTAN passa a ser medido pela rapidez com que ela responde às prioridades definidas pela Casa Branca.

A crise não começa com o risco de saída formal dos Estados Unidos. Começa antes, no momento em que a aliança deixa de operar como pacto previsível e passa a funcionar sob lógica condicional.

A reintrodução da Groenlândia no mesmo contexto reforça essa leitura. Ao insinuar pressão direta sobre um território ligado a um aliado, Washington sinaliza que, diante de interesses considerados estratégicos, até os limites tradicionais da aliança podem ser relativizados.

O que veio à tona não foi apenas um mal-estar entre parceiros. Foi a passagem, mais direta do que parecia, de uma lógica de coordenação para uma lógica de comando.

A narrativa do dinheiro e seus limites

A explicação mais difundida para a crise da OTAN é simples: os europeus não pagam o suficiente, os Estados Unidos arcam com a maior parte dos custos e, por isso, Washington pressiona. O problema é que essa explicação já não se sustenta diante dos dados mais recentes.

Desde 2024, os gastos militares europeus entraram em trajetória de alta consistente. Em 2025, Europa e Canadá ampliaram seus investimentos em defesa em cerca de 20%. No mesmo período, a aliança formalizou um novo patamar de ambição: alcançar 5% do PIB em defesa e segurança até 2035, sendo uma parcela majoritária destinada diretamente a capacidades militares. Não se trata de........

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