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Os abolicionistas brancos do século 19 e os escravagistas do século 21

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19.04.2026

O mundo iria acabar a partir do que aconteceria no Brasil em 1888, com o previsível fim da escravidão. Os jornais anunciavam: as fazendas e as cidades não terão trabalhadores, e os escravos não saberão o que fazer da vida quando libertos.

Mas pouco se fala hoje dos jornais criados por  abolicionistas, entre os quais muitos empresários sinceros. Essas publicações artesanais existiram em vários Estados e suas histórias nos conduzem a mais uma conclusão constrangedora: hoje, não há nada parecido.

A possibilidade de fim da escala 6 X 1 criou a mesma reação hegemônica do fim do século 19. O Brasil irá quebrar se acabar com um modelo de trabalho cruel e superado. Mas não há contraponto organizado de parte da elite, como aconteceu em 1888. 

Não há, pelo ponto de vista dos empresários, nada semelhante aos jornais que apoiavam o fim da exploração de pessoas escravizadas. Nenhuma entidade empresarial tem posição categórica pela abolição da escala quase escravagista.

Um exemplo do que não temos hoje. Em 1882, na região do latifúndio gaúcho, um grupo de fazendeiros, comerciantes e profissionais liberais criou a Gazeta de Alegrete. Eram liderados pelo advogado e também fazendeiro Luis de Freitas Vale, o Barão do Ibirocay. A Gazeta surge um ano antes da publicação de ‘O Abolicionismo’ por Joaquim Nabuco.

Foram criados, além do jornal, clubes emancipatórios por lideranças da cidade. A sociedade se organizou para a libertação muito antes da abolição. Em 7 de setembro de 1884, a Gazeta........

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