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O setor externo brasileiro e a armadilha da estabilidade

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06.02.2026

Déficit moderado, reservas elevadas e forte entrada de capitais escondem uma questão mais profunda: o lugar ainda subordinado do Brasil na hierarquia econômica internacional

O Brasil encerrou 2025 com um déficit em transações correntes de US$ 68,8 bilhões, equivalente a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados divulgados pelo Banco Central. À primeira vista, trata-se de um número administrável — especialmente porque foi integralmente coberto pelo ingresso de investimento direto estrangeiro. Não há crise cambial no horizonte imediato, nem sinais de ruptura financeira. Mas parar nessa constatação seria um erro analítico. O balanço de pagamentos não é apenas uma tabela contábil; ele revela a posição de um país na economia mundial, seus graus de autonomia e suas dependências estruturais. E o que os dados mais recentes sugerem é menos tranquilizador do que parece.

Ao mesmo tempo, o país registrou investimento direto no valor de US$ 77,7 bilhões — cerca de 3,4% do PIB — portanto superior à necessidade de financiamento externo. As reservas internacionais permaneceram robustas, em torno de US$ 358 bilhões, funcionando como um colchão amortecedor importante diante de choques externos.

Nada disso combina com a imagem clássica das crises cambiais que marcaram a história brasileira. Não há corrida contra o real, nem perda acelerada de reservas. O país atravessa, sob esse aspecto, uma fase de estabilidade relativa.

Mas a pergunta relevante não é apenas se o déficit é financiável. É entender por que ele existe e o que sua composição revela.

O primeiro ponto que chama atenção é que o Brasil continua gerando divisas no comércio de bens. Em 2025, o superávit comercial alcançou aproximadamente US$ 60 bilhões, com exportações recordes de US$ 350,9 bilhões e importações próximas de US$ 290,9 bilhões.

Esse desempenho confirma algo importante: o país não perdeu sua capacidade exportadora. O problema não está exatamente na falta de dólares provenientes do comércio.

A questão aparece quando observamos o restante da conta corrente.

O déficit em serviços chegou a US$ 52,9 bilhões. Não se trata de um número trivial — ele praticamente corrói o superávit comercial. E o mais significativo........

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