menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Lula na Casa Branca: diplomacia, soberania e disputa eleitoral

11 0
09.05.2026

O encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na Casa Branca, em Washington, no dia 7 de maio de 2026, esteve longe de ser apenas uma reunião diplomática protocolar entre Brasil e Estados Unidos. O encontro revelou algo maior: como o mundo está mudando rapidamente e como o Brasil tenta encontrar espaço em meio à disputa entre as grandes potências. Mas revelou também algo importante para a política interna brasileira: o impacto simbólico produzido sobre o bolsonarismo e, particularmente, sobre a estratégia política da família Bolsonaro.

Durante muitos anos, a política externa brasileira foi interpretada de forma relativamente simples. Governos mais alinhados aos Estados Unidos eram vistos como automaticamente “pró-Ocidente”; governos que buscavam maior autonomia eram acusados de antiamericanos ou ideológicos.

Mas o cenário internacional de 2026 já não funciona dessa maneira.

Os próprios Estados Unidos mudaram profundamente. O governo Trump representa uma América mais protecionista, mais nacionalista e menos comprometida com o modelo de globalização construído após a Segunda Guerra Mundial. Ao mesmo tempo, China, BRICS ampliados, Ásia e Sul Global ganharam peso econômico, tecnológico e político.

Nesse contexto, o encontro entre Lula e Trump teve um significado importante: mostrou que o Brasil não pretende romper com Washington, mas também não aceita mais ocupar uma posição subordinada na ordem internacional.

O fim da política externa automática

Talvez o aspecto mais relevante do encontro tenha sido justamente sua normalidade.

Lula não foi a Washington como aliado automático nem como adversário ideológico. Foi como chefe de Estado de um país grande, exportador de alimentos, petróleo, minerais estratégicos e energia, num momento em que a reorganização da economia mundial amplia o peso geopolítico brasileiro.

Isso marca uma diferença importante em relação ao período recente do bolsonarismo.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, a aproximação com Trump assumiu muitas vezes um caráter quase........

© Brasil 247