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“Ócio demais faz mal”: a ideologia fascista por trás da jornada 6x1

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02.03.2026

Em entrevista à Folha de São Paulo nesta semana, o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, afirmou ser contrário ao debate sobre o fim da jornada 6x1 e, para justificar sua posição, resumiu sua filosofia em uma frase memorável: “ócio demais faz mal”.

Afinal, imaginem o risco de trabalhadores com dois dias fixos de descanso. Pessoas com tempo para recuperar o corpo, conviver com a família, estudar, praticar um esporte ou simplesmente não fazer nada por algumas horas. Que ameaça à ordem! Que instabilidade para a economia! Parece que, no Brasil, o verdadeiro perigo não é o excesso de cansaço, mas o excesso de descanso.

E é nesse clima que floresce um tipo curioso de campeonato espalhado pela extrema direita: o campeonato de quem trabalha mais. Disputam ferozmente quem está no pódio do sacrifício. Estufam o peito para bradar que trabalham sete dias por semana. Vangloriam-se em dizer que não descansam. Se orgulham ao afirmar que não tiram férias. Em síntese, não param nunca. E fazem questão de contar isso com heroísmo, como se estivessem exibindo uma medalha. Quanto menos dormem, mais virtuosos se sentem. Quanto menos descansam, mais moral acreditam ter.

Curioso é que muitos dos que lideram esse campeonato não são exatamente aqueles que acordam às quatro da manhã para pegar ônibus lotado. São aqueles que juram trabalhar mais do que todos, que repetem que “não têm horário”, que vivem “sob pressão”. Mas, quando se olha de perto, seu grande esforço consiste em gerenciar o trabalho dos outros. Não batem ponto, não enfrentam fila no transporte, não passam oito horas em pé numa fábrica ou atrás de um balcão. Decidem a vida dos outros, cobram resultados, assinam papéis e chamam isso de exaustão. Administrar o suor alheio virou sinônimo de sacrifício pessoal. E, ainda assim, apresentam-se........

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