Um balanço do golpe militar no Chile 53 anos depois
“Aprendam a lição… (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor… Tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão” — Salvador Allende, às 9h30 da manhã do dia 11 de setembro de 1973.
“Aprendam a lição… (porque) muito mais cedo do que tarde, se abrirão novamente as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor… Tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão” — Salvador Allende, às 9h30 da manhã do dia 11 de setembro de 1973.
O golpe militar, a morte de Salvador Allende e o fim do governo da Unidade Popular, na manhã nublada, fria e melancólica de Santiago do Chile, daquele 11 de setembro de 1973, foram um momento trágico da história política da esquerda latino-americana, e foram também um momento de mudança irreversível do pensamento crítico e progressista do continente. Nos anos 60, e até o início da década de 70 do século passado, a América Latina viveu um momento de intensa criatividade intelectual e política. Foi o período áureo da revolução cubana e de sua influência sobre os movimentos de luta armada do continente, em particular no Brasil, Uruguai e Argentina, e, um pouco mais tarde, na América Central.
Foi o tempo do reformismo militar de Velasco Alvarado, no Peru, e de Juan José Torres, na Bolívia; da volta do peronismo e da vitória de Juan Domingo Perón, na Argentina; da primeira experiência reformista democrata-cristã, na Venezuela; e, acima de tudo, do “reformismo cepalino”, de Eduardo Frei, e do “socialismo democrático”, de Salvador Allende, no Chile. Tendo como pano de fundo, como desafio político e intelectual, o “milagre econômico” do regime militar brasileiro.
Neste período, Santiago........
