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O ônibus que não veio e a Justiça que chegou tarde

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25.10.2026

“Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta.” — Rui Barbosa

Os acontecimentos eleitorais de hoje nos remete ao ontológico discurso de Rui Barbosa – Oração aos Moços. O caos eleitoral deste domingo tem responsáveis. As administrações municipais que deixaram de garantir transporte suficiente e a direção do Tribunal Superior Eleitoral, que não assegurou uma resposta eficaz a tempo, devem explicações ao Brasil. Entre o ônibus que não chegou e a providência que demorou, ficou o cidadão privado das condições necessárias para exercer o voto.

A obrigação estava estabelecida: transporte coletivo gratuito, com frequência equivalente à dos dias úteis. O próprio TSE havia reiterado essa determinação antes do segundo turno. Não faltava conhecimento da regra. Faltou assegurar seu cumprimento quando ele era indispensável.

O resultado dessa falha tem endereço social. A falta de ônibus pesa sobre quem mora longe, depende do transporte coletivo e não pode pagar uma corrida particular. Atinge o trabalhador da periferia, a mulher que precisa organizar o cuidado dos filhos para sair de casa, o idoso que não consegue percorrer quilômetros a pé. Quem dispõe de carro encontra uma saída. Quem depende do serviço público pode ficar pelo caminho.

Essa desigualdade tem consequências políticas evidentes. Impedir ou dificultar o acesso das camadas populares às urnas ameaça a participação de uma base fundamental da candidatura de Lula e pode favorecer seu adversário, Flávio Bolsonaro. Não é preciso conhecer o voto individual de cada passageiro para reconhecer o caráter socialmente seletivo de uma eleição em que alguns conseguem chegar e outros ficam esperando.

É particularmente grave que denúncias dessa natureza envolvam administrações alinhadas ao campo político interessado na derrota de Lula. A........

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