Diplomacia e bom senso levam ao fim do conflito estadunidense-iraniano
Quatro fatores levaram ao acordo entre Irã e Estados Unidos.
Finalmente, após 107 dias de confrontos intensos, embora intermitentes, os lados estadunidense e iraniano chegaram a um memorando de entendimento preliminar para encerrar a guerra, reabrir o Estreito de Ormuz, suspender o bloqueio e iniciar sessenta dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, o levantamento das sanções, a liberação de ativos congelados e a integração do Irã à economia global. Espera-se que os dois lados se encontrem pessoalmente na sexta-feira, na Suíça, após a assinatura eletrônica do memorando pelos dois presidentes.
A realidade aparente desse acordo é que Trump, depois de prometer repetidamente uma vitória decisiva e uma derrota militar esmagadora do Irã, retornou à mesa de negociações e cedeu em relação a muitas das exigências descabidas que havia imposto no início do conflito. Ele aceitou os resultados da mediação, que não definiu claramente um vencedor ou um vencido.
O ponto importante é que um acordo foi alcançado após quase dois meses de negociações, na sequência da declaração de cessar-fogo em abril passado. O ponto crucial é que a diplomacia triunfou sobre a imprudência da força; as negociações superaram ameaças, intimidações e provocações; e a mediação sábia prevaleceu sobre a intransigência de ambos os lados. Os confrontos e a agressão sionista contra o Líbano continuarão sendo um ponto crítico e uma potencial fonte de explosão, pois a entidade sionista não é confiável e prospera apenas em meio a confrontos. Ela recua e se retrai, enquanto disputas internas irrompem durante períodos de trégua e silêncio. Acredito que quatro fatores-chave contribuíram para o acordo, os quais resumirei a seguir.
Primeiro — Trump e o fator interno nos Estados Unidos
Essa guerra ocorreu após a operação de pirataria na Venezuela, que levou à prisão de um chefe de Estado e de sua esposa sem resistência, baixas ou confrontos. Isso reforçou a arrogância de Trump e sua confiança excessiva em sua própria genialidade. Ele acreditava que uma guerra contra o Irã, baseada nas garantias de Netanyahu, seria resolvida rapidamente. Após suas ameaças de mudança de regime, confisco do petróleo iraniano e eliminação do Irã do mapa, ficou claro para ele que essas ideias não passavam de meras ilusões.
O Irã, após absorver o golpe........
