menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A Guerra do Golfo sob uma perspectiva unilateral

22 0
10.04.2026

Os Estados Unidos e Israel estão tentando impor sua narrativa sobre os eventos e desenvolvimentos no Oriente Médio, em particular, e no mundo, em geral. O conflito palestino-israelense, afirmam, teria começado em 7 de outubro de 2023 — sem data anterior nem posterior. A história estadunidense e o conflito com árabes e muçulmanos, alegam, teriam começado em 11 de setembro de 2001. O conflito de Israel com o Hezbollah no Líbano, em sua primeira fase, teria começado em 8 de outubro de 2023, e esta fase atual, em 2 de março de 2026. É como se Israel tivesse cumprido integralmente a Resolução 1701 (2006). Datas têm sido fabricadas desde o início do conflito com o Irã, sendo a mais recente a declaração do vice-presidente dos EUA, Vance, de que o Irã produziria sua primeira bomba nuclear em uma semana, para justificar a agressão em 28 de fevereiro de 2026.

Autoridades internacionais estão proibidas de se lembrar da ocupação sionista e dos massacres e guerras que ela perpetrou contra o povo palestino e outros Estados árabes por mais de 77 anos. Nenhuma autoridade tem permissão para relembrar suas guerras em Gaza, no Líbano e na Síria. Os iranianos estão proibidos de se lembrar da guerra de doze dias, em junho de 2025, dos assassinatos de cientistas, dos bombardeios sucessivos ou da destruição do consulado em Damasco.

As guerras em curso no Irã, no Líbano, na Palestina (tanto na Cisjordânia quanto na Palestina Ocidental) e na região do Golfo, segundo essa narrativa, não estão relacionadas. Discussões, esforços, declarações e projetos de resolução devem permanecer restritos exclusivamente à suposta agressão iraniana contra os Estados do Golfo e a Jordânia. É proibido mencionar a agressão americano-sionista contra o Irã em 28 de fevereiro, assim como é proibido mencionar a guerra devastadora travada pela entidade sionista no Líbano, que afetou todos os segmentos da sociedade libanesa e suas regiões geográficas, deixando para trás imensa destruição e milhares de vítimas. Se mencionada, a culpa recai exclusivamente sobre o Hezbollah. É como se Israel tivesse aderido ao acordo de cessar-fogo alcançado pelas partes em 24 de novembro de 2014 e jamais tivesse violado a soberania ou a integridade territorial do........

© Brasil 247