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Lula perde no segundo turno com ou sem Flávio?

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18.05.2026

Diante de denúncias que fustigam a narrativa de "cruzada moral" da extrema-direita — com revelações bombásticas de áudios de Flávio Bolsonaro cobrando repasses do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse —, a tese de uma reformulação compulsória nas candidaturas da oposição ganha corpo.  

É nesse vácuo que ressurge, com força renovada inclusive dentro do campo progressista, um mantra perigoso: “Mesmo com as denúncias e a possível saída de Flávio da cédula, qualquer candidato alternativo da direita ganha de Lula no segundo turno”. 

 Mas será que essa afirmação resiste a uma autópsia dos dados, da psicologia do eleitorado e da realidade das urnas? 

A Ilusão dos 40% e a Força do "Antivoto" 

O argumento que apavora os estrategistas governistas baseia-se nas pesquisas metodológicas mais recentes de institutos como Genial/Quaest, Datafolha.Nelas, quando o sobrenome Bolsonaro é retirado da cédula do segundo turno e substituído por nomes com baixíssimo recall nacional — como os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, ou Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás —, esses "desconhecidos" largam instantaneamente com cerca de 35% a 40% das intenções de voto. 

A leitura simplista desse dado leva a crer que, se figuras sem capilaridade no Nordeste ou no Norte já começam o jogo desse tamanho, bastará o início do horário eleitoral gratuito na TV para que eles ultrapassem com facilidade os 43% a 45% estáveis de Lula. 

Essa interpretação, contudo, confunde capital político pessoal com gravidade ideológica. Os 40% de Zema ou Caiado em simulações precoces não são uma escolha consciente de seus projetos de governo ou de suas personalidades; são, na verdade, o espólio da calcificação do eleitorado brasileiro.  

Trata-se do voto "anti-PT" consolidado e resiliente, que migra para qualquer avatar posicionado à direita no tabuleiro com o único objetivo de derrotar o polo oposto. Esse eleitor não vota "em Zema"; ele vota "contra Lula". 

A "Anomalia de Laboratório" segundo Marcos Coimbra 

É exatamente nessa mecânica de votação por rejeição que reside a crítica central do cientista político Marcos Coimbra. Em análises recentes na Fórum TV, o diretor do Instituto Vox Populi questionou a solidez metodológica de se projetar um salto tão monumental entre os turnos para candidatos que hoje operam no traço da periferia do conhecimento nacional. 

Para Coimbra, o crescimento fulminante de Caiado e Zema, que saltam de meros 4% ou 5% no primeiro turno para quase 40% no segundo, é uma espécie de "anomalia estatística de laboratório".  

Ele argumenta que o eleitor médio, ao ser confrontado por um pesquisador com um nome desconhecido contra Lula em um cenário hipotético de segundo turno, utiliza esse nome apenas como um "botão de protesto" abstrato e de preenchimento de vazio. 

Na realidade, longe dos questionários, a transição de um ilustre desconhecido para um candidato........

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