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Quando o samba incomoda: cultura popular, poder e a disputa política no Brasil

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21.02.2026

Enquanto o povo vibrava na alegria dos dias de Carnaval, em blocos e escolas de samba que mergulharam com profundidade na historicidade do povo brasileiro, celebrando raízes, dores e conquistas, consolidava-se um contraste eloquente entre a potência cultural das ruas e a atuação seletiva da mídia corporativa. 

A exemplo da Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida a saga dos nordestinos e, em especial, a trajetória de Dona Lindu, mãe de Luiz Inácio Lula da Silva retirante que migrou para São Paulo com os filhos em busca de dignidade e trabalho, o carnaval expôs a força simbólica de um Brasil real, forjado na desigualdade, mas também na resistência. 

Contudo, ao mesmo tempo em que a avenida celebrava essa memória coletiva, a Globo, concessionária de um serviço público, sonegava imagens do desfile da escola. Ao iniciar a cobertura destacando ações judiciais movidas por opositores para impedir a apresentação, a emissora rompeu com a tradição de priorizar o espetáculo artístico e deslocou o foco da celebração cultural para a disputa política. Ainda que tenha tentado deliberadamente minimizar a dimensão simbólica do enredo, não conseguiu sufocar o eco do refrão popular que ecoava na Sapucaí e nas arquibancadas.

Importa destacar que a escola não levou à avenida apenas um enredo, mas a representação de uma história real que conta a trajetória de milhões de brasileiros, a caminhada de Luiz Inácio Lula da Silva, o menino retirante que mais tarde como presidente da República transformou a própria história e a de milhões de brasileiros. 

Ao som de um samba enredo primoroso, exaltou-se a força de quem saiu da fome e da migração forçada para se tornar líder nacional e referência mundial, governando o país com políticas que impactaram estruturalmente a realidade econômica e social. Foi sob sua liderança que o Brasil expandiu universidades públicas e institutos federais, ampliou o acesso ao ensino superior por meio de políticas de inclusão, reduziu desigualdades históricas e permitiu que filhos de trabalhadores, e de retirantes como ele ocupassem as salas das universidades e alcançassem o título de doutores. Um presidente sem diploma universitário que, paradoxalmente, valorizou a educação como instrumento de emancipação social, que fortaleceu programas de acesso à moradia, possibilitando às camadas populares a conquista da casa própria, que enfrentou o debate fiscal, aprovando a isenção do imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais, com taxação dos super ricos, que se posiciona pelo fim da escala 6x1, por melhores condições de trabalho e por uma economia inclusiva. 

Entretanto, ao longo dos 79 minutos de apresentação da Acadêmicos de Niterói, os comentaristas da emissora permaneceram visivelmente contidos diante da eloquência provocadora da performance dos componentes da escola. Não se tratou de mero critério técnico de edição, mas de escolha editorial que acabou por invisibilizar a ousadia artística e o alcance simbólico do enredo. Ao celebrar o filho de Dona Lindu, a escola reafirmou a legitimidade social de um governo que emerge do povo e dialoga com suas aspirações. Ainda assim, setores políticos opositores ao governo Lula trataram a manifestação artística como afronta ideológica.

As polêmicas extrapolaram o campo cultural. Antes mesmo do desfile, proliferaram nas redes sociais manifestações de repúdio, pedidos de investigação e tentativas........

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