menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

A volta ao tempo do medo

7 9
17.01.2026

Eu cresci e vivi minha infância e adolescência, como outras milhões de pessoas em todo o mundo, sob o risco do apocalipse atômico. Tinha 11 anos de idade quando minha professora na Escola Estadual Conde de Agrolongo, na traumatizada Penha, Rio de Janeiro, nos falou de Hiroshima, Nagasaki e das explosões nucleares no Atol Bikini. Foi então que vi as primeiras imagens de Hiroshima, do mar de Bikini, e da criação pelo homem de armas capazes de destruir o mundo. Adolescente, o medo do apocalipse nuclear se expressava claramente em filmes “do fim do mundo”, e nas séries japonesas originais de “Godzilla”. O original “Gojira” foi lançado em 1954 pela Produtora Toho, sob  a direção de Ishirō Honda e produzido por Tomoyuki Tanaka. Tratava-se claramente de uma advertência, metafórica, sobre os impactos do uso das armas nucleares e seus testes ao ar livre e a consequente contaminação radioativa. Para muitos, o próprio Godzilla representava uma personificação do medo pós-guerra no Japão – o único país alvo de um ataque nuclear. 

Inaugurava-se através do filme de Ishiro Honda, o gênero “kaiju” - o cinema de monstros gigantes – com um estilo próprio, miniaturizado, de efeitos especiais ditos “tokusatsu”, que apresentavam cidades sendo destruídas por monstros criados pelos efeitos da radiação. 

O Ocidente não ficou atrás: em 1955 o diretor Jack Arnold lançava “Tarântula”, com fantásticos efeitos, em particular as sequências de externas no deserto da Califórnia, denunciando uma ciência sem ética. Em seguida vinha o desconcertante “O Incrível Homem que Encolheu”, também de Arnold, em 1956. Monstros povoavam as telas de cinema em consequência da radiação nuclear decorrente de experimentos humanos – em especial os testes nucleares de superfície, tanto nos atóis do Pacífico como nos desertos do Novo México e no “Nevada Test Site”, onde cerca de 900 bombas atômicas, inclusive a “Bomba H” e a Bomba de Nêutrons vinham sendo “testadas”. Esta última era dita a “bomba capitalista”, posto possuía a capacidade de matar por efeito da radiação, poupando - para quem? - as propriedades privadas. Neste clima surge, em 1957, o filme de Bert I. Gordon denominado “O Começo do Fim”, consolidando um subgênero de ficção científica terror denominado de “bigs bugs”, os insetos gigantes, mutantes criados pelo efeito da radiação, que ameaçam a humanidade. Ou........

© Brasil 247