Onde estão os docentes negros nas instituições federais?
Racismo institucional e as limitações das cotas no serviço público federal. Assim, configura-se uma pirâmide racial do poder acadêmico. A presença negra expandiu-se na base, mas parece diminuir à medida que nos aproximamos do topo.
O Observatório Opará, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em parceria com a Educafro, revelou uma realidade que, para quem convive com o cotidiano das instituições federais de ensino há anos, não é surpreendente. Basta observar os corredores, as salas de aula e, principalmente, os espaços de direção e poder. Onde estão os docentes negros? E onde estão os negros nas direções dos Institutos Federais?
A pergunta pode parecer provocativa, mas os dados estatísticos comprovam que ela não é apenas uma impressão do cotidiano.
As políticas de ações afirmativas transformaram gradualmente a composição do corpo discente das instituições públicas de ensino superior e dos Institutos Federais. A reserva de vagas ampliou as oportunidades de ingresso de estudantes negros e aproximou universidades e Institutos Federais, ainda que insuficientemente, da composição racial da sociedade brasileira. Essa transformação, porém, não ocorreu na mesma proporção do outro lado da sala de aula.
O Censo da Educação Superior de 2023, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), revela uma disparidade significativa na representação racial entre docentes do ensino superior e a população brasileira. Aproximadamente 21% dos docentes se identificam como pretos ou pardos, enquanto o Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que........
