O mito como arsenal da humanidade: como aprendemos a pensar antes de aprender a transformar
Por Alexandre Machado Rosa – Em tempos de eleições, a verdade aparece ainda mais nebulosa. O marketing político busca esconder ou modificar os fatos, apresentando a realidade sempre como convém aos interesses de quem detém o capital e a mídia. E ela parece ficar ainda mais distante. Manipular números, distorcer contextos e fabricar narrativas nos faz refletir sobre a tênue fronteira entre mito e verdade. Afinal, desde que o ser humano começou a contar histórias sobre o início de tudo, aprendemos que toda narrativa é também uma forma de poder: quem conta o mito, define o mundo. Está parece ser a regra principalmente da extrema direita.
Lembremos que para o mito, no princípio, era tudo caos. Ou, pelo menos, é o que contam os antigos mitos sobre o mundo. Na Grécia, era chamado de Khaos, o vazio primordial de onde emergiram Gaia, Urano e tudo que vem depois a partir dos chamados deuses primordiais. Já os babilônios acreditavam que tudo começou com uma luta cósmica entre deuses: Marduk, o herói, rasga o corpo de Tiamat, a deusa do caos, e com suas partes cria o céu e a terra. Por sua vez, os hebreus criam na força da palavra. Eles afirmam que Deus disse “faça-se a luz”. E a luz, obediente, fez-se. E fez o homem à sua imagem e semelhança.Já no berço de Lucy, o esqueleto de 3,2 milhões de anos, na África Subsaariana, os iorubás contam que Obatalá desceu do céu com um punhado de terra, uma galinha de cinco dedos e uma concha, e foi assim que a terra se espalhou sobre as águas. A nação dos Tupinambás diz que Monã, o espírito criador, moldou o mundo a partir do nada e, depois de ver que os........
