Campeonatos que se decidem fora de campo
O Benfica vive hoje numa espécie de contradição permanente. Produz como equipa grande que é, dominante, instalada no meio-campo adversário, capaz de encostar o jogo à área contrária durante largos períodos. Mas depois, quando o jogo acaba, a realidade é outra. Pontos perdidos. Distâncias que não encurtam. Sensação de que falta sempre qualquer coisa no momento decisivo.
Frente ao Casa Pia, voltou a ver-se tudo isto. Setenta e oito por cento de posse de bola, um valor que iguala o máximo da época. Um registo de expected goals de 2.72, entre os mais elevados da temporada. Volume ofensivo, presença constante no último terço, ocasiões suficientes para resolver o jogo com relativa tranquilidade. E, no entanto, mais dois pontos deixados pelo caminho.
Não foi um caso isolado. Frente ao Santa Clara, o filme foi semelhante. Em Tondela, voltou a repetir-se. Jogos onde o Benfica teve bola, teve espaço, teve oportunidades. Jogos onde, olhando apenas para os números, seria difícil justificar outro desfecho que não a vitória. Mas o futebol não se joga em folhas de Excel. Joga-se em momentos. E nesses momentos, o Benfica tem falhado.
Este é o primeiro problema. E é um problema sério. Equipas que querem ser campeãs não podem viver de métricas avançadas. Podem usá-las como suporte, como diagnóstico, como ferramenta........
