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Há um cheiro a medo no ar

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10.03.2026

Confesso que fico sempre sem saber o que responder quando me perguntam se não tenho medo de levar os miúdos a jogos grandes que, infelizmente, depois de muitos anos de conflitos e tragédias, acabaram por ser classificados como de alto risco — e digo já que só esta designação já é suficiente para me provocar urticária. Se nos soubéssemos todos comportar como os seres humanos decentes que se esperaria que fôssemos, não seria preciso classificar um evento desportivo desta forma ou criar planos de segurança altamente detalhados para evitar desgraças. E sim, eu sou a primeira a assumir a irracionalidade que nos domina quando o tema é a paixão clubística. Mas até para essa irracionalidade é suposto existir um limite.

É claro que a história nos mostra que tem razão quem teme. Não sei se todos os leitores desta coluna se recordam ou ouviram falar do mundialmente conhecido Heysel Stadium Disaster, mas, para os que possam não saber a que me refiro, deixem-me resumir os acontecimentos. Ora, no dia 29 de maio de 1985, em Bruxelas, durante a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de futebol que opunha Liverpool e Juventus, o colapso de um muro provocou trinta e nove mortos e cerca de seiscentos feridos. Acontece que, obviamente, o muro não colapsou do nada. Na verdade, o que aconteceu foi que os adeptos do Liverpool, saberá Deus com que motivação, decidiram romper a vedação entre o setor que lhes estava destinado e a área neutra do estádio, obrigando os adeptos da Juventus ali presentes a recuar. Só que o recuo foi de tal ordem que uma multidão acabou prensada contra o tal muro de betão que, não aguentando, colapsou. Dezenas morreram........

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