menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Violência económica: quando o dinheiro condiciona a liberdade. Opinião de uma advogada

11 0
yesterday

Há mulheres que trabalham todos os dias e precisam de pedir autorização para utilizar o próprio salário. Outras vivem de uma reforma que alguém levanta e administra, sem lhes explicar quanto receberam ou onde foi gasto o dinheiro. Há ainda quem adie uma consulta, deixe de comprar medicamentos ou desista de procurar emprego para evitar uma discussão em casa.

O dinheiro pode tornar-se um instrumento de controlo sobre decisões tão elementares como sair de casa, manter contactos ou procurar cuidados de saúde. Quando o acesso aos recursos depende da vontade de outra pessoa, até as escolhas mais simples podem ficar condicionadas.

A violência económica pode manifestar-se através da privação de dinheiro para necessidades básicas, do controlo imposto sobre os rendimentos, da utilização de poupanças sem autorização ou de pressões para assumir dívidas e entregar património. Pode também envolver obstáculos ao trabalho ou à formação, tornando mais difícil alcançar independência financeira.

Por vezes, instala-se gradualmente. Uma pessoa assume a gestão das contas, centraliza documentos e passa a tratar das decisões financeiras. Essa organização pode corresponder a um acordo livre. Merece atenção quando a informação começa a ser recusada, quando desaparece a possibilidade de participar ou quando discordar provoca ameaças, humilhação ou medo.

A organização do orçamento familiar admite diferentes soluções, sobretudo quando os recursos são escassos e exigem escolhas difíceis. Importa perceber se existe transparência, se a vontade de cada pessoa é respeitada e se há liberdade efetiva para alterar o que foi acordado. A confiança exige condições para escolher e para dizer que não.

Esta realidade atravessa gerações. Nas mulheres idosas, pode surgir dentro da própria família e ser exercida pelos filhos ou por outros familiares em quem depositam confiança.

A ajuda de um filho ou de uma filha na gestão das despesas pode ser valiosa, desde que respeite as instruções da mãe e assegure informação clara. Merecem particular atenção às situações em que alguém retém o cartão bancário, se........

© Visão