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Prestação Social Única: a pergunta que não quer calar

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22.06.2026

A proposta de criação da Prestação Social Única nasce com uma promessa simples: tornar mais claro, mais rápido e menos burocrático o acesso a várias prestações sociais não contributivas.A promessa é apelativa. Mas, em matéria de proteção social, todas as promessas de simplificação devem ser lidas com uma cautela adicional: simplificar pode aproximar o Estado das pessoas, mas também pode concentrar poder, reduzir garantias e tornar invisíveis vulnerabilidades diferentes.É por isso que há uma pergunta que não quer calar: simplificar para proteger melhor ou simplificar para controlar mais?A Prestação Social Única ainda não é, neste momento, um regime legal definitivo e em vigor. O que existe é a Proposta de Lei n.º 85/XVII/1.ª, apresentada pelo Governo, destinada a autorizar a criação desta nova prestação no âmbito do subsistema de solidariedade.Esta precisão é essencial.Uma coisa é o anúncio político de uma reforma. Outra, bem diferente, é o conteúdo final do diploma que vier a ser aprovado, regulamentado e aplicado às pessoas concretas.É precisamente nesse intervalo, entre a promessa política e a lei que vier a ser aplicada, que se decide se a simplificação será uma garantia ou um risco.Portugal tem um sistema de prestações sociais complexo, disperso e muitas vezes pouco compreensível. Mesmo para profissionais que trabalham nesta área, nem sempre é simples articular apoios, condições de acesso, rendimentos relevantes, composição do agregado familiar, deveres de informação e consequências do incumprimento.Para quem vive numa situação de vulnerabilidade, essa complexidade pode tornar-se uma barreira quase intransponível.Uma pessoa que precisa de apoio social não precisa apenas de uma prestação. Precisa de compreender que apoio existe, como pode pedi-lo, que documentos deve apresentar, em que prazo deve fazê-lo, que decisão pode esperar e como pode reagir se o pedido for recusado.Se o sistema é tão difícil que afasta precisamente quem mais necessita dele, então falha antes mesmo de decidir.Por isso, a ideia de reunir várias prestações sociais não contributivas num modelo mais simples pode fazer sentido. Bem desenhada, esta simplificação pode reduzir a burocracia, evitar duplicações, tornar mais claro o percurso dos beneficiários e aproximar a Segurança Social das pessoas.Mas simplificar não é apenas........

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