Como se forma um professor na era da IA?
A discussão sobre Inteligência Artificial na educação tem sido frequentemente dominada por duas questões: como utilizar estas tecnologias na escola e se elas poderão substituir os professores. Ambas são relevantes, mas nenhuma delas atinge o núcleo do problema.
A questão decisiva é outra: que tipo de formação é necessária para exercer uma profissão cujo centro não é a transmissão de informação, mas o julgamento pedagógico numa relação humana?
Durante muito tempo, a formação de professores organizou-se em torno de dois eixos principais: o domínio dos conteúdos disciplinares e o domínio de técnicas de ensino. Esta arquitetura correspondeu a uma visão relativamente estável da escola moderna, na qual o professor era entendido como mediador entre o conhecimento científico e os alunos.
Essa conceção nunca foi inteiramente adequada à realidade do trabalho docente, mas torna-se hoje claramente insuficiente.
Transmissão de conhecimento
A Inteligência Artificial veio tornar evidente que uma parte significativa daquilo que entendíamos como transmissão de conhecimento pode ser realizada por sistemas automáticos cada vez mais sofisticados. Explicações, exercícios, resumos, simulações e respostas a perguntas deixaram de ser exclusivamente humanos.
Mas há algo que permanece fora deste movimento de automatização: a interpretação situada de pessoas concretas em contextos concretos.
É aqui que emerge o núcleo da questão formativa.
Aristóteles distinguia entre diferentes formas de saber. A episteme referia-se ao conhecimento científico. A techne ao saber-fazer técnico. Mas........
