Vale a pena consumir própolis para imunidade?
Vale a pena consumir própolis para imunidade?
Lá em casa sempre tinha própolis. Meus avós a usavam quando ficavam gripados ou quando a imunidade estava baixa, então isso sempre foi um hábito na minha família. Mas será que você deveria ter esse hábito também? Será que a própolis realmente funciona?
A própolis é uma substância produzida pelas abelhas a partir de resinas de plantas. Elas usam esse material para proteger a colmeia contra microrganismos, o que faz com que ela tenha compostos com ação antimicrobiana e anti-inflamatória.
Existem vários tipos, mas, no Brasil, a mais conhecida é a própolis verde, produzida pelas abelhas africanizadas Apis mellifera, e que tem origem no alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia). Ela recebe esse nome por conta da coloração verde, que vem da clorofila presente nas folhas da planta. A produção funciona assim: as abelhas coletam a resina das folhas jovens da planta (e não das flores, como ocorre em outros tipos de própolis). Em seguida, misturam essa resina com secreções salivares e cera, dando origem à própolis.
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Agora, é preciso deixar claro que a própolis não é capaz de aumentar a imunidade, até mesmo porque imunidade não é um botão que você liga e desliga, mas sim um sistema que está sempre ativo. Como a própolis tem uma alta concentração de compostos bioativos, como flavonoides e fenólicos, ela tem potencial antioxidante e pode modular a resposta inflamatória do organismo.
O que você precisa entender é que sono ruim, estresse elevado, alimentação desbalanceada e sedentarismo têm um impacto negativo muito grande na imunidade. Então, alimentos que podem servir como aliados só vão fazer efeito quando o restante estiver bem organizado.
No consultório, eu utilizo a própolis em dois momentos bem específicos:
Em pessoas com recorrência de infecções respiratórias leves, já que alguns estudos mostram que o uso de própolis pode reduzir a frequência e a duração de sintomas respiratórios, especialmente quando combinada com outros compostos.
Em momentos de maior exposição ou estresse, como mudanças de estação, viagens ou períodos mais intensos de trabalho. Nesses momentos, é muito comum uma mudança na alimentação, com aumento de alimentos ultraprocessados e baixa ingestão de frutas e vegetais. Aqui, eu uso a própolis com foco no intestino, já que ela pode favorecer bactérias benéficas e inibir patógenos. Na prática, isso tem um efeito indireto na imunidade, já que intestino e sistema imune estão diretamente ligados.
A própolis verde está disponível em diferentes formas: líquida, cápsulas ou extrato. Cada formato apresenta vantagens específicas:
Líquido/extrato: fácil de diluir em água, sucos ou chás, permitindo ajuste da dose, mas com sabor mais intenso e amargo;
Cápsulas: dose padronizada e prática, ideal para uso diário sem sabor forte;
Spray: prático para uso oral ou tópico, bom para garganta e boca;
Pomada: aplicada na pele, útil para feridas, queimaduras ou inflamações;
Mel com própolis: consumo direto ou em receitas, aproveitando também as propriedades do mel.
Na versão líquida, temos opções com e sem álcool. A própolis com álcool é a mais tradicional e costuma ter maior concentração de compostos ativos, além de sabor mais forte e marcante.
Já os extratos não alcoólicos surgem como uma opção segura para todos, mantendo os benefícios da própolis sem a presença do álcool. Eles podem ser usados por quem tem restrições ou simplesmente prefere uma fórmula mais suave.
Para quem gosta, o extrato de própolis pode ser usado diluído em água, chás ou até puro, dependendo da tolerância ao sabor.
Alguns pacientes preferem cápsulas pela praticidade ou porque não gostam do sabor.
Hoje existe uma tendência de associar própolis com vitamina C, quercetina e outros compostos, vendendo a ideia de uma "superimunidade". Mas, como eu sempre falo, nem todo suplemento vale a pena, pois, na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada já fornece esses nutrientes. No consultório, eu evito sair combinando vários suplementos sem necessidade. Isso aumenta o custo e nem sempre traz benefício proporcional.
Agora vamos para a parte prática: como consumir. Se optar pela cápsula, uma é suficiente, já que equivale a aproximadamente 20 gotas. Já se preferir na versão líquida, usamos de 10 a 20 gotas. Eu indico pela manhã quando penso mais nas questões de gripes e resfriados. Agora, pensando nas questões de estresse e rotina fora do padrão, gosto de indicar o consumo à noite antes de dormir.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
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