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Brasil vai à Índia falar de IA, mas ainda desfila nu

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22.02.2026

Advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro

Link externo, e-mail de Ronaldo Lemos

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Brasil vai à Índia falar de IA, mas ainda desfila nu

País asiático exporta US$ 274 bilhões em tecnologia por ano, enquanto Brasil segue dependente de commodities

Projeto de lei brasileiro para IA copia modelo europeu ultrapassado, enquanto Índia cria regulação própria

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O Brasil decidiu olhar para a Índia, o que é bom. Foi ao país com uma das maiores delegações governamentais recentes, incluindo o presidente e ministros. Participaram da Cúpula Indiana de Inteligência Artificial, realizada em Nova Déli. O evento foi bem-sucedido.

Conseguiu atrair lideranças políticas e os principais executivos de empresas de tecnologia, consolidando a Índia como potência tecnológica em ascensão. No entanto, os caminhos do Brasil e da Índia com relação à inteligência artificial e tecnologia são muito distintos. O da Índia está dando certo.

Só para recapitular, a economia brasileira era maior que a indiana até meados de 2010. De 2010 até agora, o PIB brasileiro estagnou, enquanto o da Índia cresceu mais de 150%. O tamanho da economia indiana hoje é o dobro da nossa.

O país asiático conseguiu aumentar também sua complexidade econômica. Em 1994 exportava algodão, chá, arroz. Hoje exporta equipamentos industriais, medicamentos e veículos. Sem falar nos US$ 274 bilhões anuais em eletrônicos e serviços tecnológicos. Além disso, tem formado 1,3 milhão de engenheiros por ano, 91 para cada 100 mil habitantes. No Brasil o número é 47 e caindo. E está em 3º lugar no ranking de IA da Universidade de Stanford.

Já o Brasil em 1994 exportava café, soja, açúcar e minério de ferro. Em 2026, continuamos exportando as mesmas coisas. Nossas exportações tecnológicas são de US$ 8 bilhões anuais, puxadas sobretudo pela Embraer. Enquanto a Índia cresce cerca de 7% ao ano, o Brasil luta para crescer 2%.

É nesse contexto que a Índia enxerga a inteligência artificial como um caminho para aumentar ainda mais sua complexidade econômica. Sua visão é de que o maior risco para o país seria ficar para trás em IA e não preparar sua população para um futuro em que essa tecnologia terá um papel central.

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Essa conclusão não veio do dia para a noite. A Índia criou um processo nacional, envolvendo governo, comunidade científica e sociedade civil para pensar em como criar regras para a IA. O país tem até um Ministério da Tecnologia da Informação. Olhou para leis e processos legislativos de outros países, incluindo o projeto de lei brasileiro em tramitação no Congresso. E não adotou esses modelos, preferindo criar um verdadeiramente indiano. Recomendo a leitura do documento "India AI Governance Guidelines", que começa com três princípios: confiança; colocar as pessoas em primeiro lugar; e inovação acima de restrições.

Já o Brasil, diferente da Índia, não olhou nem para o mundo nem para o próprio país para redigir seu projeto de lei de inteligência artificial que tramita no congresso. Olhou só para um lugar: a Europa. A lei brasileira deriva diretamente da lei europeia de IA. A questão é que agora a própria Europa está mudando sua lei, justamente para promover competitividade. De modo que o Brasil está copiando a lei europeia do passado.

Nesse contexto, nosso país acerta ao finalmente olhar para a Índia e buscar entender o que está dando certo por lá. Enquanto a Índia tem o que mostrar, olhando para nosso PIB, em tecnologia o Brasil ainda desfila nu.

Já era – Índia mais pobre que o Brasil

Já é – Índia crescendo 7% ao ano

Já vem – Índia caminhando para se tornar a 3ª economia global

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