menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O problema é que o radar de Donald Trump não se limita à Venezuela

7 7
06.01.2026

Escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

1. Acordo na madrugada de sábado com uma mensagem no celular: "Captura pelos americanos é ruim, mas o pior é ter de levar a mulher junto. Dupla punição."

Meus amigos são assim: desbocados e inconvenientes. Talvez seja por isso que eu goste tanto deles. Como democratas genuínos, não hesitam em celebrar a queda de um ditador. Se der para incluir a esposa no pacote, melhor ainda.

Estou com eles. Celebro o fim de Nicolás Maduro. Gostaria de acreditar que isso significa também o fim do regime, mas Trump parece ter outros planos: um "madurismo sem Maduro", com os Estados Unidos faturando o petróleo do país. Onde fica a democracia? Onde fica a liberdade? Onde fica o reconhecimento das lideranças legítimas da Venezuela, vencedoras da eleição de 2024?

Por enquanto, em lugar nenhum. Os neoconservadores —que com razão ganharam má fama— ao menos invadiam países com a ambição ingênua de democratizá-los. Com Trump, nem isso.

Pode ser prudência histórica: depois da invasão do Iraque, George W. Bush desmontou o poder sunita e entregou o país aos xiitas. O resultado foi a guerra sectária —e o nascimento do Estado Islâmico. Mas também é possível que a qualidade da governança seja irrelevante, desde que Caracas permaneça........

© UOL