O problema é que o radar de Donald Trump não se limita à Venezuela
Escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa
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1. Acordo na madrugada de sábado com uma mensagem no celular: "Captura pelos americanos é ruim, mas o pior é ter de levar a mulher junto. Dupla punição."
Meus amigos são assim: desbocados e inconvenientes. Talvez seja por isso que eu goste tanto deles. Como democratas genuínos, não hesitam em celebrar a queda de um ditador. Se der para incluir a esposa no pacote, melhor ainda.
Estou com eles. Celebro o fim de Nicolás Maduro. Gostaria de acreditar que isso significa também o fim do regime, mas Trump parece ter outros planos: um "madurismo sem Maduro", com os Estados Unidos faturando o petróleo do país. Onde fica a democracia? Onde fica a liberdade? Onde fica o reconhecimento das lideranças legítimas da Venezuela, vencedoras da eleição de 2024?
Por enquanto, em lugar nenhum. Os neoconservadores —que com razão ganharam má fama— ao menos invadiam países com a ambição ingênua de democratizá-los. Com Trump, nem isso.
Pode ser prudência histórica: depois da invasão do Iraque, George W. Bush desmontou o poder sunita e entregou o país aos xiitas. O resultado foi a guerra sectária —e o nascimento do Estado Islâmico. Mas também é possível que a qualidade da governança seja irrelevante, desde que Caracas permaneça........
