Petróleo, défices e contas certas
Na sequência da destruição causada pelas tempestades de fevereiro e do choque nos preços do petróleo e gás decorrente da guerra com o Irão, o primeiro-ministro admitiu permitir que o Orçamento de Estado para 2026 volte a ser deficitário. Mas, advertiu, tal não porá em causa o compromisso com a sustentabilidade das contas públicas. Tem razão em ambos os pontos.
Num país que nos últimos 50 anos viveu crises financeiras que obrigaram três intervenções do FMI (em 1977, 83 e 2011) com ajustamentos dolorosíssimos, ter as contas públicas controladas é de elementar prudência e muito bem compreendido pelos eleitores. Nenhum político com aspirações dirá hoje, como José Sócrates no passado, que a dívida dos estados não se paga, ‘rola-se’. (Se bem que, em bom rigor, tal seja verdade ... desde que os mercados acreditem que os estados conseguem servir a sua dívida.) Contudo, a ideia que finanças públicas saudáveis obrigam a saldos orçamentais permanentemente nulos ou positivos – as ditas ‘contas certas’ – só ganhou corpo na opinião pública nacional e........
