Entre promessas e urgências fechadas, o SNS desfaz-se
O estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal voltou, com razão, ao centro do debate público, não por reformas estruturais bem-sucedidas, mas pela persistência de problemas que parecem resistir ao tempo e às sucessivas promessas políticas. Entre metas adiadas, serviços encerrados e declarações políticas infelizes, o retrato atual levanta uma questão incómoda, estará o SNS a caminhar para uma perigosa estagnação?
Um dos exemplos mais reveladores é a cobertura de médicos de família. Segundo projeções recentes, a meta prevista para 2027 pouco difere da realidade já observada em 2024. Isto significa que, apesar de anos de alertas sobre a falta de acesso a cuidados de saúde primários, não se antevê uma melhoria substancial a médio prazo. A ausência de um médico de família não é um detalhe administrativo, é, para muitos cidadãos, a porta fechada de entrada no sistema de saúde. Sem esse acompanhamento regular, agravam-se desigualdades, aumentam as idas desnecessárias às urgências e perde-se capacidade de prevenção, que é,........
