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Do mal o menos

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06.03.2026

1. O ataque israelo-americano contra o regime patrono do terrorismo mundial volta a mostrar que há grupos que só se movem pelo antissemitismo e o antiamericanismo. Por exemplo, a Venezuela está melhor do que estava, viu-se livre do sanguinário Maduro, mas discutem o direito internacional, em vez de louvarem a prisão de um narcoterrorista e reconhecerem a suavização do regime. Em Cuba, a população vive em ditadura comunista e com fome desde 1960, mas tentam fazer crer que os problemas resultam dos boicotes americanos. Os iluminados antiocidentais não aceitam (salvo quando se trata da Rússia ou da China) que o direito internacional integra direitos humanos, legitimando ações quando possível. Os pseudopacifistas proclamam que a adesão à NATO de países do Leste, bálticos e escandinavos foi fruto de uma política bélica do Ocidente. Ignoram que os países precisam de se proteger, tal como faz um cidadão ao contratar empresas de segurança. A expansão da NATO é um instrumento coletivo de defesa. Cresceu pela adesão de países neutros e antigos estados satélites da URSS. Por tudo isto, não se estranha que os chamados idiotas úteis se limitem a lançar apelos à contenção, em vez de saudar o ataque contra o regime teocrático que recentemente chacinou mais de 30 mil contestatários, sobretudo jovens. Isto para além de ter aproveitado o ataque de sábado para visar alvos civis e militares de países árabes muçulmanos e mesmo uma base inglesa em Chipre, um país da União Europeia. Os falsos moralistas só à boca pequena reconhecem que o Irão apoia e treina múltiplas organizações terroristas como o Hamas e o Hezbollah, colaborando em ações como o 7 de outubro. No entanto, têm sempre o cuidado de invocar justificações moralistas para tais atos. A crueldade abjeta de Teerão só compara com a do Afeganistão, um estado miserável e exportador de terror. Farto de ser alvo, o regime paquistanês (uma democracia formal dominada por militares autocratas) desencadeou uma guerra defensiva de fronteira contra os talibãs, esperando-se que a ganhe. Neste contexto internacional, reconheça-se que Trump é um intempestivo, cujo narcisismo resvala para limites perigosos. E é claro que esta ofensiva tem visões distintas em Telavive e Washington. Os israelitas querem reforçar a sua segurança, destruir o seu maior inimigo, mudando o regime. Já Trump pretende garantir a defesa do aliado judeu e aproveitar para controlar a rota do petróleo para a China. A mudança de regime não será para ele essencial, desde que consiga destruir grande parte do poder de fogo dos ayatollahs. Apesar de Trump, não se pense que os militares americanos e israelitas aceitariam iniciar futilmente um ataque com a dimensão que vemos. Qualquer democrata deseja que se criem condições para os iranianos se libertarem sem uma intervenção externa massiva, rejeitada pelas opiniões públicas ocidentais. O passado recente mostra que nada substitui o povo, pelo que é incerta a queda do regime de Teerão. Mas o facto é que ele está muito fragilizado, deixou de ter parte dos meios de apoio ao terrorismo, viu travada a sua aspiração nuclear e limitada a sua preponderância geopolítica. Muitas vezes temos de optar pelo menor dos males. E preparar-nos para repetir o ataque dentro de uns tempos, se o regime renascer.

2. É mais provável que a guerra da Ucrânia dure outro ano do que conseguir-se a paz. A Ucrânia tem resistido muito para além do esperado. Nem o ódio de Trump a Zelensky deu a Moscovo a vitória. O ataque de há quatro anos não foi o início. Esse foi em 2014 com a anexação da Crimeia e a indiferença colaboracionista do Ocidente. Esse erro colossal avalizou a invasão que já custou mais de um milhão de vítimas às duas partes. Do lado ucraniano a situação é desesperada. Por falta de apoios, de dinheiro e de combatentes válidos. Vale o improviso e a inteligência tecnológica. Os russos contam com dinheiro das exportações de petróleo (agora ainda mais com a guerra no Irão) e, sobretudo, com a enorme reserva de carne para canhão, que são os mercenários ou arrolados à força, normalmente oriundos das colonizadas repúblicas menores. Um estudo recente evidencia que três quartos dos mortos russos vêm de etnias oprimidas e da Coreia do Norte. A Ucrânia é mais um exemplo de que uma guerra colonial não se ganha, apesar de Kiev ter problemas internos e muita corrupção endémica. Da Rússia emanam propaganda, força bruta e ameaças. Tal como no Irão, só a revolta interna dos oprimidos da federação e a perda do complexo de perseguição dos russos genuínos podem mudar as coisas. Mas isso não é de esperar de um povo que sempre se deixou governar por ditadores.


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