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Educação. Portugal, que futuro? A quem servem estes exames nacionais?

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22.06.2026

Basta fazer uma comparação simples entre os os atuais Exames Nacionais de Português e os exames, nesta disciplina, de acesso ao ensino Superior concebidos na década de 1990, quando deles constava o comentário crítico a um texto literário, obrigando a que os estudantes redigissem um breve ensaio, analisando aspetos estilísticos e ideológicos, simbólicos e estéticos do texto em apreço, para se concluir o óbvio: os melhores alunos a Português, ou a História, a Economia ou em Filosofia jamais conseguiriam responder com propriedade aos antigos exames de acesso à Universidade. Para além de um comentário crítico, ou, noutros exames (estou a pensar no de 1997), do questionário exigente e competente que se colocava aos que faziam esta prova de ingresso, os exames de então tinham um Grupo II - e muitas vezes só mais esse grupo - dedicado à prática do resumo ou, em opção, à prática da síntese. O resumo e a síntese, de resto, são operações de contração de texto a partir de um texto não-literário e obrigavam, sobretudo, à compreensão do texto-fonte a dois níveis que hoje os estudantes não identificam: a separação do essencial em relação ao acessório e a obrigatoriedade de respeitar um nível de língua criterioso, sem jamais corromper o texto de que se partia. Hoje, como se vê no Superior, o resumo e a síntese não são técnicas de estudo e de escrita que os alunos dominem. Em Exames de Português do início dos anos 2000, ainda exigentes, não havia quaisquer perguntas de escolha múltipla e deplorava-se simplesmente o chamado ‘teste americano’. Sucede que, gradualmente se foi impondo uma forma de transformar os Exames Nacionais e meros momentos de avaliação instrumental. Os Exames são hoje o espelho da própria indigência de muitos que, nas escolas e já nas universidades, concebem a educação como obediência a formatos predeterminados, obediência a um esquematismo mascarado de rigor, mas que, valha a verdade, infantilizou todo o processo ensino-aprendizagem, decidindo-se acabar com exames em que saber ler e saber escrever é o essencial, posto que o que se pretende é que o aluno reconheça pistas, selecione respostas já pré-cozinhadas.

A mais cabal prova da incompetência científica e da ideologia oca a que o ensino em Portugal está votado é o mais recente Exame Nacional de Português. A questão axial não é, a meu ver, o cartoon do Grupo III, o qual já aparecia, como exercício de preparação para este exame, num livro de apoio do Grupo Leya. Não faz sentido argumentar-se que o exame falha por causa disso. A questão é outra: quem concebeu este exame deveria saber que há inúmeros livros de preparação (é um negócio da China!) e, eventualmente, ao nível da leitura de imagem e mesmo de textos com questionários preparatórios, é necessários que não se repitam textos, questionários iguais, exercícios de gramática semelhantes. Este Exame........

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