A reunião de família do orçamento europeu
cada sete anos, a família sentava-se à volta da mesa grande. Era a reunião do orçamento. Um ritual antigo.
À cabeceira sentava-se sempre a PAC. Era a mais velha. Tinha chegado quando a casa ainda lutava para se reerguer e o problema era garantir comida boa, barata e para todos.
Durante muito tempo, quase todo o dinheiro da família era para ela. Nos anos 70 e 80, do século passado, mais de 70% do orçamento comunitário ia para a agricultura.
“Fui eu que mantive esta casa de pé quando ainda mal tinha paredes”, lembrava, sem dramatismo. E ninguém contestava.
Com o tempo, a família cresceu.
Primeiro veio a Coesão, pragmática, pesada e de botas sujas de obra. Falava de regiões esquecidas, pontes por construir, aldeias a esvaziar e escolas sem aquecimento.
“Produzir é essencial, mas uma casa partida ao meio nunca funciona bem”, dizia ao mesmo tempo que espalhava mapas sobre a mesa,
E levou uma fatia crescente do orçamento para obras estruturais.
Depois apareceu o Ambiente, sempre aflito com secas e cheias e a queixar-se do frio e do calor.
“Esta casa está cada vez mais quente; o telhado já não isola e ninguém quer saber”, alertava sempre.
Falava do clima, da água, e de outros temas que mais ninguém percebia bem, como a biodiversidade, a energia limpa, e a neutralidade carbónica. Nunca pedia pouco, porque os problemas também não........
