Não há pachorra!
Desde que me lembro, sempre que se fala de saúde pública, o vinho acaba sentado no banco dos réus. Não falo do abuso do álcool, que sempre existiu e continuará a ser uma questão social terrível seja qual for a bebida alcoólica, falo do vinho bebido à refeição, do copo partilhado entre amigos e família, algo que acompanha a dieta mediterrânica há séculos.
Vamos lá então puxar pela cabeça. Nos últimos anos multiplicaram-se os estudos, os alertas e até propostas para colocar nas garrafas advertências semelhantes às dos maços de tabaco porque, segundo a Organização Mundial da Saúde, qualquer consumo de álcool representa um risco. Mais recentemente, o discurso passou a ser ainda mais incisivo e a centrar-se quase exclusivamente na relação entre o álcool e determinados tipos de cancro, ignorando muitas vezes outras evidências científicas igualmente relevantes.
Durante décadas, vários estudos científicos apontaram para a associação entre o consumo moderado de vinho e uma menor incidência de doenças cardiovasculares. Em 2023, por exemplo, uma revisão sistemática de 25 estudos importantes na área da saúde — incluindo o........
