O barril manda, o turismo obedece
Quando o preço do petróleo sobe, a primeira reação é olhar para a bomba de gasolina. Há, no entanto, outro contador, menos visível mas igualmente decisivo, a disparar: o do combustível para a aviação. Quando esse contador acelera, não é apenas o sector aéreo que paga: paga o passageiro, o hotel e o restaurante. Paga todos os territórios que dependem economicamente de ligações internacionais. Ora, para Portugal, a mensagem é clara: podemos vir a pagar caro. Uma parte significativa da nossa economia está direta e indiretamente ligada ao turismo. Segundo dados do INE, em 2025 este sector representou 9,5% do Produto Interno Bruto nacional. São 82 milhões de dormidas que geraram 29.131,2 milhões de euros de receita turística. Destas, cerca de 70% são asseguradas por não residentes, provenientes maioritariamente do Reino Unido, Alemanha, França e Estados Unidos. Logo, a disponibilidade e o custo das ligações aéreas é, mesmo, um tema sério.
Tal explica a razão pela qual devemos de olhar com preocupação para as notícias que indicam que várias companhias aéreas estão a aumentar tarifas, a rever taxas de bagagem e a cortar ou suspender rotas devido ao encarecimento do combustível, tudo medidas que afetam a saúde de curto prazo da nossa economia. Do ponto de vista estrutural, estas notícias voltam a enfatizar uma fragilidade estrutural relativa a um modelo turístico que cresceu muito e bem, mas que continua excessivamente dependente de três variáveis que não controla: o preço da energia, a capacidade aérea e o rendimento disponível dos consumidores estrangeiros.
Pode surpreender alguns leitores, mas a realidade é simples: a aviação opera, em geral, com margens........
