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Desafios e prioridades para 2026. Nelson Ferreira Pires, Jaba Recordati: O diferencial competitivo estará nas capacidades humanas mais difíceis de replicar

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20.02.2026

Nelson Ferreira Pires, administrador e director-geral da Jaba Recordati Portugal e Grécia, defende que «a tendência para a qual empresas e profissionais estão menos preparados é a gestão eficaz de pessoas num contexto de incerteza permanente, agravada pela adopção acelerada da inteligência artificial».

O principal desafio de Gestão de Pessoas em 2026 será garantir coerência entre estratégia, liderança e experiência real dos colaboradores, num contexto de crescente integração da inteligência artificial (IA) no trabalho. As organizações enfrentam, simultaneamente, maior pressão externa por resultados e maior escrutínio interno por parte das equipas. Os colaboradores estão mais conscientes do seu valor e menos tolerantes a incoerências entre o que é comunicado e o que é praticado.

Paralelamente, à medida que a tecnologia assume tarefas analíticas, repetitivas e de suporte à decisão, a Gestão de Pessoas terá de evoluir para o desenvolvimento de duas das sete inteligências identificadas pela Gartner, nomeadamente a inteligência intrapessoal e interpessoal. Autoconsciência, empatia, comunicação, colaboração e capacidade de decisão responsável serão determinantes para manter equipas alinhadas, líderes eficazes e níveis elevados de engagement, desempenho e retenção de talento.

A tendência para a qual empresas e profissionais estão menos preparados é a gestão eficaz de pessoas num contexto de incerteza permanente, agravada pela adopção acelerada da inteligência artificial. O trabalho híbrido, a redefinição constante de prioridades e a rápida evolução tecnológica tornaram a mudança estrutural. No entanto, muitos modelos de liderança, avaliação de desempenho e desenvolvimento de talento continuam assentes em pressupostos de estabilidade, previsibilidade e controlo.

Acresce que a IA é frequentemente encarada apenas como uma ferramenta técnica ou, em sentido oposto, como uma ameaça, faltando uma abordagem equilibrada que combine literacia digital, ética, responsabilidade e desenvolvimento humano. Esta falta de preparação gera frustração, decisões adiadas e dificuldades em alinhar expectativas, comprometendo a agilidade e a sustentabilidade das equipas.

Prioridades e futuro Na Jaba Recordati, definimos três prioridades claras para 2026. Em primeiro lugar, o desenvolvimento das inteligências intrapessoal e interpessoal, através de programas estruturados de liderança, coaching e formação contínua, alinhados com o modelo das sete inteligências da Gartner.

Em segundo lugar, a integração da inteligência artificial como ferramenta de eficiência na estrutura de pessoas, aplicando-a a processos como planeamento, análise de dados, reporting e apoio à decisão, libertando tempo para actividades que exigem julgamento humano e proximidade às equipas.

Por fim, o reforço de uma cultura de aprendizagem contínua, diversidade, inclusão e bem-estar, reconhecendo que o desempenho sustentável depende directamente da saúde, da motivação e do desenvolvimento das pessoas.

Em 2030, a grande diferença no mundo do trabalho será a clara separação entre as tarefas automatizáveis e o contributo humano de elevado valor. As organizações tenderão a estruturar- se menos em torno de cargos fixos e mais em torno de competências, projectos e impacto real. A inteligência artificial será um factor decisivo de eficiência, mas o verdadeiro diferencial competitivo estará nas capacidades humanas mais difíceis de replicar: pensamento crítico, empatia, ética, liderança e autoconsciência.

A relação entre empresas e profissionais será mais transparente e exigente, baseada em responsabilidade mútua, aprendizagem contínua e propósito claro. Nesse contexto, a Gestão de Pessoas afirmar-se-á definitivamente como um eixo central da liderança e da competitividade organizacional.

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.


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