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Teodoro e a morte no Tejo

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25.08.2026

O Professor Teodoro Ramalho caminhava junto ao Tejo. Lisboa estava molhada. Teodoro chegara à idade dos silêncios. Sereno. Um sentimento raro e vadio instalara-se nele de modo delirante. 

Não chovia propriamente. A cidade conservava humidades eternas, noturnas, que subiam do rio e alojavam-se nas pedras, nos candeeiros, nas janelas, como se a cidade tivesse sido pescada da água. O Cais do Sodré quase deserto. Um táxi riscava a noite, indiferente ao rio. Ao longe, um barco avançava, silencioso e iluminado, levando passageiros para uma margem distante.

Foi numa dessas noites que o Tejo devolveu um homem. Teodoro achou isso deselegante.

António Valente, cinquenta e oito anos, era antiquário. Tinha uma pequena loja na Baixa, especializada em livros e manuscritos antigos. Conhecia colecionadores, bibliófilos e, sobretudo, viúvas que herdavam coisas que não sabiam avaliar.

Encontraram-no junto à água, completamente vestido, mas sem sapatos.

No bolso tinha um bilhete de elétrico, uma chave, um pequeno papel com uma frase rabiscada e um livro banal. No papel lia-se: O terceiro sino. A polícia considerou aquilo uma hora, uma igreja, um código ou uma excentricidade de morto. Teodoro........

© Sapo