Antes que saibamos
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Às vezes, o que dá nas vistas não é o que foi escolhido para mostrar-se, tampouco é algo que já estava exposto. Pode ser o que nos foge, o que se desvela para além de uma vontade consciente. É tudo o que nos escapa, como um enamoramento que se dá às claras, diante dos olhos de estranhos, sem que os envolvidos percebam cruzar o limiar entre uma atração despretensiosa e uma avalanche bioquímica.
É primavera e é bonito contemplar os casais que trocam sorrisos e se olham com deslumbramento, numa intimidade ainda recente, que traz o frescor de permitir-se ser bobo e fazer brincadeiras um com o outro sem se importar com o entorno. Talvez seja só a estação do ano, ou talvez seja a primavera da vida, mas dia desses flagrei o reencontro de um casal entre a saída de comboios e o metrô da estação de Campanhã.
Desci de manhã de um trem que vinha de Lisboa e avistei um rapazinho com a capa negra das vestes acadêmicas descendo do mesmo vagão que eu. Ele trazia flores embrulhadas num papel celofane colorido, arrematadas por um laço de cetim branco, o que fazia com que a sua presença........
