A romantização da mãe resiliente
As famílias portuguesas de hoje vivem entre horários apertados, exigências profissionais, filhos em diferentes ritmos e uma gestão diária feita quase sempre no limite. Tudo anda para a frente — a casa funciona, os filhos são acompanhados, as responsabilidades cumprem-se —, mas quase sempre à custa de alguém que sustém esse malabarismo.
Chamamos a isto resiliência. E elogiamos. Mas quando a capacidade para dar resposta a fases exigentes deixa de ser exceção e se transforma num modo de funcionamento permanente, algo se perde. O cansaço descura-se, a sobrecarga normaliza-se e o seguir em frente torna-se automático.
O que começa como adaptação pontual necessária acaba por se instalar........
